Muitos leitores da Bíblia acham Mateus 7:1-12 uma passagem desafiadora, difícil de ajustar dentro da estrutura do resto do Sermão do Monte. Ela parece, ao primeiro exame, consistir de três parágrafos independentes, sem um tema comum. Isto fez com que alguns presumissem que eles tivessem sido enunciados em outras ocasiões e incluídos aqui posteriormente. Esta é uma solução desnecessariamente radical que só serve para lançar dúvida na exatidão do relato de Mateus.
Jesus não está nos proibindo de fazer qualquer comentário que seja acerca dos fatos que nos rodeiam. Muito pelo contrário, em nossos tumultuados dias, precisamos cada vez mais de discernimento, ou seja, da capacidade espiritual de julgar um fato, à luz das verdades Bíblicas, e esse dom somente é exercido através de julgamento.
O que estes ensinamentos, aparentemente não relacionados, quando mal analisados, podem ter em comum é que trazem consigo alguns avisos necessários a complementar a instrução anterior de Jesus em seu contexto. Trocando em miúdos, trazendo as palavras proferidos por Jesus para nossos dias, seu sentido seria algo como isto:
"Nosso próprio acurado entendimento da justiça do reino não deverá produzir em nós um espírito de julgamento áspero e reprovador contra aqueles que estão tendo uma luta em servir a Cristo. Os homens precisam ser ajudados a ver a natureza da verdadeira justiça, mas não por um descuidado e convencido hipócrita que está mais preocupado com os pecados alheios do que com os próprios. Se o Sermão for aplicado primeiro em casa, facilmente encontraremos a compaixão e a humildade para tratar dos pecados alheios (7:1-5)."
"A partilha do evangelho do reino é um trabalho absolutamente vital, mas precisamos estar avisados a não desperdiçar nosso tempo com aqueles que não têm nenhum interesse nele. O reino de Deus não é propagado por um cego fanatismo mais do que pelo exercício de uma árida crítica. O filho do reino está em busca daqueles cuja atitude torna-os maduros para receber as boas novas da redenção, e não de homens e mulheres cujo orgulho impossibilita-os de ouvir e entender (7:6)."
"E finalmente, o reino não é obtido por esforços heróicos e meritórias realizações, mas simplesmente por pedi-lo com seriedade. O reino é uma dádiva do amor de Deus (7:7-12)."
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